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Crítica: Eu Queria Ter A Sua Vida
por Matheus Serafim

Comédia se perde ao tentar passar uma moral.



Muito comum hoje em dia os longas quererem passar uma moral para os espectadores. E desde que seja algo bem feito, chega a funcionar e dá à produção maior fôlego. Mas compreenda: se não sabe como passar esta moral para o público e amarrar as situações propostas durante o enredo, simultaneamente, se preocupe mais em dar um final digno a sua produção do que tentar passar uma moral.


O longa conta a história de Dave, um responsável pai de família, que depois de anos na faculdade de direito conseguiu subir em sua carreira, e está prestes a se tornar sócio. Já seu melhor amigo é um preguiçoso ator, que vive num apartamento completamente desorganizado e que não tem ideia do que é responsabilidade. Depois de uma bebedeira, ambos acabam trocando de corpos, e precisam destrocar antes que destruam as vidas um do outro.


Baseando-se na velha situação de troca de corpos, a produção poderia ter se sobressaído muito mais. Com história escrita pela dupla que também escreveu “Se Beber, Não Case” e dirigido por David Dobkin (Penetras Bons de Bico), o filme consegue atingir seu objetivo, sendo completamente descarado do começo ao fim. Mas a partir do momento em que a produção tenta deixar de ser engraçada para tentar passar uma moral, as coisas começam a ficar entediantes.


"Eu Queria ter a Sua Vida" falha ao fazer com que a troca de corpos aconteça antes que o espectador se familiarize com os personagens, embora eles tentem camuflar isso com mais e mais piadas. Isso acontece talvez por que os personagens fossem carentes de uma personalidade mais complexa, ou mesmo, tivessem uma ou duas características que os fizessem diferentes um do outro, o que faz com que sejam necessárias poucas cenas para os definir, dificultando ainda mais a chance do espectador se preocupar com os protagonistas, e mais ainda, torcer para que eles troquem de corpo novamente, o que acaba fazendo o foco do enredo – a troca de corpos – apenas um artificio, o que até certo ponto poderia ser bom, mas acaba sendo ruim para a conclusão da história.


As atuações são razoáveis, mas isso, por que tem personagens rasos. Ambos os atores que protagonizam o longa são competentes para muito mais. Apesar disso, Ryan Reynolds se sobressai com suas expressões e Jason Bateman, assim como Reynolds, consegue interpretar bem as personalidades dos dois personagens, mesmo isso acaba não sendo suficiente para melhorar a produção.


Por mais que o filme seja sobre troca de corpos, uma coisa meio manjada no cinema, o roteiro apresenta piadas e frases originais e engraçadas, mesmo que a produção precisasse de mais que isso para tornar-se interessante. Ainda assim, é assistível. A dica para quem irá assistir é: não assista ao filme esperando por algo casual como “Sexta-Feira Muito Louca” ou “Se eu Fosse Você”, por que neste caso, suas expectativas serão mais do que frustradas.

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